terça-feira, 15 de julho de 2014

Fim de jogo

A essa altura você já sabe. Até ontem só se falava nisso. Você já deve ter ouvido falar de conspirações, de comemorações, de lamentos, de projeções. A Alemanha é a campeã da Copa do Mundo do Brasil, tetracampeã mundial. Acaba-se assim essa Copa, ficamos por aqui. Na saudade, certamente. Acabou mordidas de Suárez, acabou patada de Davi Luis, acabou golaço de James Rodriguez, acabou corrida de Robben, acabou último lance de Messi, acabou balé da Costa Rica, acabou  galera no estádio, acabou fan fest, acabou madrugada de resenha, acabou caminhada holandesa, acabou goleada na Espanha, em Portugal e no Brasil. Acabou Higuita alemão, acabou Dilma bolada, acabou coxinhas vaiando, acabou jogo em Manaus, acabou bola com almoço. Estão falando em copa de solgan, se essa copa merece um é o seguinte: foi uma copa da zorra. Foi uma copa de los carajos. Uma copa América com campeão Pataxó. Uma copa de Toré, que a seleção brasileira não conhece, não conhecerá e de que jamais se dará conta. Uma senhora copa.

A seleção encolheu, mas os brasileiros ficaram gigantes. O Brasil se mostrou brasileiro, sem pudores maiores, com os problemas de sempre e não os inventados, com as virtudes verdadeiras e não as produzidas. O Brasil saiu do controle chovendo desesperadamente para salvar alemães e americanos de um meio dia de sol em Recife ou Natal, O Brasil cozinhou holandeses e mexicanos e suíços e brasileiros e chilenos. Esqueçam, a seleção não vai mudar. Vai ficar ruim até ficar boa, é da nossa natureza. 

A copa vai à Rússia, que será de nós. tão longe, talvez que os jogos passem de manhã na nossa televisão. Tão longe, talvez congele. Tão longe, talvez eu vá. Depois, será que vai ao Qatar? Será que não volta? Será que terão terminado o metrô se ela voltar? Será que a copa vai pros Estados Unidos depois, será? Tô com saudades da copa. Tô com saudades. Tchau, Copa. 








Gol, da Alemanha!

domingo, 13 de julho de 2014

A Final

Chegamos. Passamos a fase de grupos como uma copa eletrizante, jogos fantásticos, muitos gols, campeões caíram, estrelas brilharam, outras não. Chegamos às oitavas sem sustos, mas com um incômodo e evidente equilíbrio entre seleções tradicionais e as estreantes. O Brasil foi aos pênaltis, a Alemanha foi à prorrogação, a Argentina suou, a Holanda sofreu. Todos passaram. nas quartas, igual. E então o Brasil se destacou dos demais. Saltou aos olhos. Se mostrou diferente de todos.Ao invés de trabalhar duro, observar as características do adversário e adaptar-se a elas, jogando por uma única e improvável chance, um vacilo fatal do adversário, um lance fortuito numa prorrogação, preferiu a seleção brasileira contar com a divina providência, a iluminação astral, o fator extra-campo, o retorno do recalcado. Tomou um chocolate da Alemanha, um cacete da Holanda e cada um pras suas casas para nunca mais voltar aqui.

Na outra perna da final, a  Holanda vinha apostando no contra ataque, como todos os outros, e contando com Robben para marcar e passar pela vantagem mínima à fase seguinte. Deu certo contra a Austrália, garantindo o primeiro lugar naquele momento. Deu certo contra o México, aos 49, num pênalti mandraque, inventado. Não deu certo contra a Costa rica e o jogo foi para os pênaltis. Não deu certo contra a Argentina, mas aí  a Argentina é quem foi ara os pênaltis, Romero defendeu duas cobranças e os miseráveis azulinos estão na final. 

Hermanos meu rabo

Uma vez conheci uruguaios. Exilados em Paris, gente sofrida, trabalho associativo, longa história. Estendo a mão, ele me dá um tapa nas costas: Maracanã, como vai?
Então se futebol não é sua praia, você pode até pensar: nossa, colônia contra metrópole, todos pela colônia! Se o seu lance é futebol, pode pensar: nossa, raça contra tática, raça! Libertadores contra Champions, libertadores! Copa América contra Euro, América! Seu rabo. Se esses caras ganharem a copa, que tranquem o maracanã, roubem a taça e derretam saporra. Que não restem provas. Se jogarem extraordinariamente bem, mostrarem que são melhor na pelota, se Messi arrebentar, se a Alemanha pipocar, se a hinchada fizer a diferença, fechem os aeroportos, bloqueiem a saída, tomem a taça, sequestrem os caras, façam alguma coisa, façam qualquer coisa, mas essa taça não pode ir ao Sul. Estejam avisados.

Alemanha do Brasil

Nao é preciso dizer como a Alamanha curte estar no Brasil. Eu curtiria estar em Bueno Aires se meu time fosse uma máquina e os outros fossem manjericão. Eu curtiria férias na praia com direito a futebol, família e afagos. Não há nada melhor. Podolski, Neuer, Schweinsteiger, Muller, Klose. Lahm, Boateng, Hummels, Metrsacker,  Kroos, Götze. Joachim Löw. Que timão. Eu sempre me perguntei quem poderia ter criado esse mito de Beckenbauer. Alemão jogando bola, que piada. A Alemanha de 2002 foi um blefe. A de 2006, grande coadjuvante. Mas chega a notícia que eles acharam o mesmo, e não pararam de trabalhar de lá prá cá. está aí o resultado. Que Bento ganhe de Francisco só hoje, vamos à luta.


quinta-feira, 10 de julho de 2014

Notícia por ocasião da derrota brasileira face ao selecionado alemão

São cinco da tarde
O Brasil respira
Com a bola nos pés
uma última vez

São cinco da tarde.
Nosso hino ecoa
de bravas gargantas
uma última vez

Durante a canção
uma última vez
levanta-se triste
a camisa dez

São cinco da tarde.
Mais dez minutos
E a Alemanha nos lança
num sono profundo.

Não é uma partida
é bem mais um tormento 
a cada dois minutos
marcam mais um tento.

Eram cinco da tarde
as mulheres choraram
as crianças choraram
O mundo caiu.

Com pena a Alemanha
segura o placar
mas entraram sete
sem nem se notar

Sete vezes marcaram
contra aquele escrete
Que de uma equipe
nem faz a maquete

Um bando faminto
um bando fajuto
que os sonhos mais puros
condenam ao luto.

Qual Fred, qual Hulk
qual Neymar, Oscar
Sem meio, sem técnico
só sabem chorar.

Só falta esperar
nossa mais triste sina
goleado o Brasil
campeã a Argentina.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Brasil x Alemanha


A Alemanha está voando. Um timão, feliz da vida de pegar o Brasil, feliz de estar aqui, feliz demais. tem até esse vídeo aqui que eles fizeram para comemorar 28 dias da chegada ao Brasil. Fizeram até um Abschlusstraining no mineirão, tomara que seja de despedida.
O Brasil está motivado. Faltam peças, sobra decisão.

Entendam que eu só tenho coração para escrever isso. Bom jogo a todos, espero sobreviver.