Tá certo, eu não falei nada sobre as quartas de sábado, Holanda e Costa Rica, Argentina e Bélgica. A Argentina fez sua melhor partida, a Bélgica fez sua pior partida. A Holanda fez um bom jogo, Costa Rica tentou seu melhor. Argentina e Holanda passaram, mas podiam bem não ter conseguido. Farão seu jogo amanhã, holandeses animados, argentinos desfalcados. Veremos.
O Brasil está na semi. Temperança, comedimento. Passou grande pela Colômbia, mas o jogo foi se dirigindo para um grande momento dramático que afinal ia se mostrando ópera bufa, quando Neymar levou uma pancada e caiu estirado. Grande novidade, Neymar caindo estirado. Mas ele não se levantou depois brandindo seu cartão imaginário, nem os colombianos fizeram o gesto das duas mãos juntinhas, sinalizando que ele havia se jogado. O jogo acabou num lance esquisito, escanteio não cobrado, meio confuso. Na minha cabeça, Rhayner, jogador do Bahia que havia fraturado uma vértebra em campo, numa queda de jogo. Confirmada a fratura logo depois, senti uma raiva imensa, não do jogo, nem do colombiano, nem dos alemães. O sábado, então, foi uma brochada sensacional.
Havia um amigo enfurecido "enquanto se preocupam com Neymar, não tem agulha na UPA". Claro que não tem. Há um tempo atrás, nem tinha UPA. Não terá agulha na UPA ano que vem, no carnaval, nem no próximo jogo do Bahia. Caiu um viaduto essa semana, um acidente horrível, uma obra a respeito da qual o mínimo que se pode dizer é "não-fiscalizada". E é o mínimo, porque sabemos de todas as outras obras de todas as outras ordens no Brasil. Há uma falta de vontade geral em se fiscalizar certos aspectos, uma vontade geral de ludibriar em certos aspectos, casamento perfeito. Mas alguns oportunistas escolhem o momento preciso para se dar conta disso, como o covarde que só lembra que vai morrer quando está em desvantagem. Todos vamos morrer. É uma verdade universal, quase a única verdade universal, mas nós não vivemos como se fôssemos todos morrer. A base da razão humana é viver apesar da morte. Não é uma coisa ou a outra, não é torcer ou se preocupar, é a capacidade de se indignar com o errado e vibrar de alegria com o que lhe traz alegria. É tão óbvio.
Temperança é necessária. Para sonhar sem esquecer de viver, para lutar sem perder a ternura, sem perder a razão da luta nas ações da luta. Chega disso, que o jogo é de copa.
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