terça-feira, 17 de junho de 2014

Blitz na Bahia


Um exército alemão montou base em Santa Cruz Cabrália. Estrategistas, artilheiros, sagazes alemães olharam para o seu grupo na copa e, ao ver lá os portugueses, que haveriam de saber todos os atalhos para se chegar a Salvador, pensaram: Was können wir tun? O que podemos fazer para igualá-los? Vai pra Porto Seguro, gritou um brasileiro em Berlim, todos rirar, mas alguém começou a pensar, Ja, isso pode dar certo.

O fato é que, se a escolha por construir um Centro de Treinamentos próprio, ao invés de simplesmente ocupar um dos campos sequestrados pela organizadora, gerou questionamentos na mídia e na cabeça de quem estava pensando em copa muito antes dela começar, os alemães, ao desembarcar, começaram um namoro intenso com a Bahia. Klose dançou com os índios, Neuer e Schwinsteiger cantaram as cores do Bahia, Podolsky dormiu satisfeito numa rede preguiçosa. Queremos seu apoio, estamos adorando, é um país maravilhoso. Essas palavras são ditas em todas as copas, mas não significa muito se o falante está trancado num Hotel-bolha, cheio de proteção e álcool gel.

Mas como os alemães, sisudos, sérios, sistemáticos, conseguiram essa proeza, e não os portugueses? Bem, tentar é um caminho para conseguir, e, sobretudo, as pessoas  não tem compromisso com o estereótipo criado em torno delas. Algumas se esforçam para criar outros mais fortes ainda, exemplo dos espanhóis que tiveram problemas ano passado em quase todas as sedes por onde passaram e esse ano resolveram que trancar-se em Curitiba a 10°C seria uma ótima preparação para estrear em Salvador. Os portugueses estavam em Campinas, enquanto os campos de Bahia e Vicetória da Bahia, para não falarmos em outras instalações por aqui por perto, esperam até agora por uma visita ilustre. Os holandeses surfaram em Copacabana, os alemães velejaram em Porto Seguro, a Península Ibérica afundou na sua ancestral Bahia. 

Quando Müller começou sua festa baiana, nada pareceu melhor a Pepe do que ser ele mesmo mais uma vez, essas pessoas que vivem numa mensagem de Walt Disney. Faça o que seu coração manda, pensou o zagueiro, e em seguida deu um catilipapo e uma cabeçada no alemão, antes de quase continuar a farra na testa do juiz. No segundo tempo, quando o moço da Guiné tomou um wissenchaft na área da Mannschaft, Cristiano o Ronaldo quase agarra o referee pelo colarinho a gritos de pênalti pá, pênalti pô. Já estavam no fundo da baía as caravelas portuguesas. 4-0 antes que pudesse haver um estalo na cabeça de Antonio Vieira.

No dia 1° de julho, caso passem para a segunda fase, os portugueses deverão voltar a Salvador para disputar as oitavas de final da copa. Véspera da data magna da Independência. Se não fosse a lei de copa, ouviriam o Hino ao Dois de Julho na Fonte Nova. É certo que os tugas não eram tão mais tiranos que o novo imperador, mas o que a letra diz é isso aqui: "com tiranos não combinam, brasileiros corações". Boa recomendação para os que pisarem na Fonte Nova nessa copa: olho no público, fé em campo, cabeça no pescoço. Se sair da linha, a Fonte esmaga. Italianos ano passado, espanhóis e portugueses até aqui levaram no mínimo 4 gols cada para aprender a lição.   


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