Chegamos. Passamos a fase de grupos como uma copa eletrizante, jogos fantásticos, muitos gols, campeões caíram, estrelas brilharam, outras não. Chegamos às oitavas sem sustos, mas com um incômodo e evidente equilíbrio entre seleções tradicionais e as estreantes. O Brasil foi aos pênaltis, a Alemanha foi à prorrogação, a Argentina suou, a Holanda sofreu. Todos passaram. nas quartas, igual. E então o Brasil se destacou dos demais. Saltou aos olhos. Se mostrou diferente de todos.Ao invés de trabalhar duro, observar as características do adversário e adaptar-se a elas, jogando por uma única e improvável chance, um vacilo fatal do adversário, um lance fortuito numa prorrogação, preferiu a seleção brasileira contar com a divina providência, a iluminação astral, o fator extra-campo, o retorno do recalcado. Tomou um chocolate da Alemanha, um cacete da Holanda e cada um pras suas casas para nunca mais voltar aqui.
Na outra perna da final, a Holanda vinha apostando no contra ataque, como todos os outros, e contando com Robben para marcar e passar pela vantagem mínima à fase seguinte. Deu certo contra a Austrália, garantindo o primeiro lugar naquele momento. Deu certo contra o México, aos 49, num pênalti mandraque, inventado. Não deu certo contra a Costa rica e o jogo foi para os pênaltis. Não deu certo contra a Argentina, mas aí a Argentina é quem foi ara os pênaltis, Romero defendeu duas cobranças e os miseráveis azulinos estão na final.
Hermanos meu rabo
Uma vez conheci uruguaios. Exilados em Paris, gente sofrida, trabalho associativo, longa história. Estendo a mão, ele me dá um tapa nas costas: Maracanã, como vai?
Então se futebol não é sua praia, você pode até pensar: nossa, colônia contra metrópole, todos pela colônia! Se o seu lance é futebol, pode pensar: nossa, raça contra tática, raça! Libertadores contra Champions, libertadores! Copa América contra Euro, América! Seu rabo. Se esses caras ganharem a copa, que tranquem o maracanã, roubem a taça e derretam saporra. Que não restem provas. Se jogarem extraordinariamente bem, mostrarem que são melhor na pelota, se Messi arrebentar, se a Alemanha pipocar, se a hinchada fizer a diferença, fechem os aeroportos, bloqueiem a saída, tomem a taça, sequestrem os caras, façam alguma coisa, façam qualquer coisa, mas essa taça não pode ir ao Sul. Estejam avisados.
Alemanha do Brasil
Uma pena a Copa ter chegado ao fim, porque estava curtindo muito ver/ler a copa por seus olhos atentos e poéticos. E por que não olhos de cronista? Alemanha fez a melhor campanha dentro e fora do campo. Na Bahia pediu a torcida do nosso Baêa, e no Rio pediu a torcida do Flamengo. Espertos, simpáticos e batem um bolão.
ResponderExcluirFoi encantador ler a Copa aqui com direito a poema, lembranças e muito sentimento. Em todas as palavras que saboreei, aqui, estavam repletas de amor ao futebol, as palavras, as lembranças... Enfim, gostaria que iniciássemos uma nova Copa para acompanhá-la com seus olhos poéticos.
Um poeta como nós, eles que façam as concessões[sempre]!
Minha Dinda, adorei ter a sua companhia por aqui! Adoro suas leituras! Saudades de você também, né só da copa não! Vamos pra Rússia na próxima, seremos correspondentes. Beijão!!!
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